Prof. José Luciano Andriguetto, diretor técnico, e Guilherme Wolff, gerente técnico comercial da GFS, explicam em artigo técnico publicado no O Presente Rural como calcular corretamente o fósforo disponível e digestível na formulação.
Escassez de fósforo é um risco real para a produção animal
O fósforo é um dos nutrientes mais importantes da nutrição animal e, ao mesmo tempo, um dos mais caros da formulação de ração. É essencial para o desenvolvimento ósseo e o metabolismo energético dos animais, mas seu custo cresce junto com a dependência de fontes minerais importadas, e o desperdício por má formulação pesa tanto no bolso do produtor quanto no impacto ambiental da produção.
Por muito tempo, o critério usado para incluir fósforo na ração foi simples e impreciso. Com o avanço da nutrição animal, esse cálculo mudou, e entender essa mudança hoje é o que separa uma formulação eficiente de uma formulação que desperdiça dinheiro sem o produtor perceber.
De fósforo total a fósforo digestível
Durante muito tempo, formular uma ração considerando apenas o fósforo total (Pt) era suficiente. O problema é que esse valor indica apenas a quantidade total de fósforo presente no ingrediente, sem considerar se o animal consegue de fato absorver esse mineral. Como boa parte do fósforo de origem vegetal está ligado ao fitato, ele acaba pouco aproveitado por aves e suínos, que não produzem naturalmente a enzima fitase em quantidade suficiente para liberá-lo.
Isso levava à inclusão de uma quantidade maior de fósforo inorgânico do que o necessário, só para garantir que o animal recebesse o suficiente. O conceito evoluiu então para fósforo disponível (Pdis), que considera a fração de fósforo que está livre e pode ser absorvida no trato digestivo. Mais recentemente, avançou ainda mais para o conceito de fósforo digestível (Pdig), o valor que reflete o que é efetivamente absorvido no intestino do animal.
Essa evolução trouxe mais precisão para a formulação, mas também mais complexidade na hora de interpretar os valores nutricionais das matérias-primas.
O que é fósforo virtual e por que ele exige cuidado
Duas tecnologias mudaram a forma de calcular o fósforo disponível na ração, a fitase e o poliol de ácido graxo. A fitase age liberando o fósforo e o cálcio que estavam ligados ao fitato das células vegetais, tornando-os disponíveis para o animal. O poliol, por sua vez, se liga ao fosfato e ao cálcio livres no trato digestivo, aumentando a absorção desses íons pelo organismo.
O ponto de atenção é que nenhuma das duas tecnologias cria fósforo novo na ração. O fósforo já estava presente no ingrediente, essas tecnologias apenas aumentam sua disponibilidade e digestibilidade. Por isso, o valor de fósforo atribuído à fitase e ao poliol é chamado de fósforo virtual, um crédito nutricional que precisa ser calculado com cuidado.
Quando esse crédito é superestimado na formulação, o risco é sério, pode comprometer desempenho zootécnico, mineralização óssea e qualidade da casca de ovos. Já quando o crédito é calculado de forma excessivamente conservadora, o produtor deixa de aproveitar parte do potencial econômico da tecnologia. O equilíbrio entre esses dois extremos é o que determina se a formulação está realmente otimizada.
O que isso muda na prática para o produtor
Formular com base no fósforo digestível, em vez do fósforo disponível, tende a trazer resultado econômico mais consistente, além de reduzir o risco de deficiência real de fósforo em rações que parecem corretas no papel mas não fornecem o suficiente ao metabolismo do animal. Em um cenário de custo crescente de fontes minerais de fósforo, essa precisão a mais na formulação se traduz diretamente em eficiência de produção e sustentabilidade.
Sobre o artigo
O artigo completo com esses conceitos foi assinado por Prof. José Luciano Andriguetto, diretor técnico, e Guilherme Wolff, gerente técnico comercial da GFS, e publicado na edição de julho de 2026 do O Presente Rural.
Leia o artigo completo no O Presente Rural